sábado, 9 de maio de 2015

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

    



Humanos são contadores de histórias por natureza. Mas, em se tratando de escrever uma boa história, você pode se sentir travado, mesmo tendo uma imaginação vívida e um milhão de ótimas ideias. Para escrever uma boa história, você terá de se inspirar, desenvolver o conteúdo e revisar o trabalho até ter escrito o melhor texto possível. Apenas siga estes passos caso queira escrever uma boa história curta.
 
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Parte 1 de 3: Inspire-se

1
Inspire-se ao prestar atenção no mundo. Se quiser escrever uma boa história, você precisará manter olhos e ouvidos abertos o tempo todo, escutando o mundo e deixando-o inspirar-lhe. Você nunca sabe qual detalhe notará ou o que lhe prenderá a atenção até antes de praticar a observação do mundo ao redor, considerando todas as coisas que poderiam ser um ótimo tema para um bom trabalho escrito. Aqui estão alguns ótimos jeitos para você reunir os detalhes que podem levá-lo a uma boa história:
  • Assista às notícias locais. As notícias locais podem tratar de casos um pouco mais estranhos do que os observados em rede nacional. Talvez você escute sobre uma mulher que tenha sobrevivido após passar oito horas trancada em um congelador; ou sobre um homem que ganhou duas vezes na loteria. Você terá uma premissa para sua história quando ouvir um desses casos.
  • Note características interessantes de personalidade. Talvez você tenha notado que os vizinhos conversam com suas plantas; ou que eles levam o gato para passar a cada manhã. Tente pensar sobre a vida oculta desse tipo de pessoa e veja se uma história se desenvolve.
  • Preste atenção em seu ambiente. Dê uma caminhada ou passe algum tempo sentado em um parque e observando e busque encontrar algo. Talvez você veja um buquê de rosas caído na sarjeta, ou um par novo de tênis em um banco da praça. Como esses itens chegaram nesses lugares?
  • Escute a conversa das pessoas. Até mesmo uma única frase interessante pode inspirá-lo a escrever uma história inteira. Talvez você escute alguém dizendo “Minha terceira esposa foi a única que amei...”, ou “Meu cachorro gosta de torturar todos os homens com quem namoro...”. Isso é o bastante para começar uma história? Claro!

2
  Inspire-se pelo cenário “E se...”. Este é outro grande meio de se começar uma história. Ao prestar atenção no mundo, você deverá observar, além das realidades, as possibilidades dele. Ao ficar atento a uma história ou imagem, pergunte-se: “Mas o que teria acontecido se isso/aquilo ocorresse?”, ou “O que essa pessoa faria se...”. Seguindo essa linha de pensamento, você poderá explorar os mistérios que lhe atormentam.
  • Você não precisa saber o final da história quando começar. Na verdade, saber de pouca coisa da história antes de começar fará você explorar mais possibilidades criativas, dando força ao seu trabalho.
  • O cenário “E se...?” pode ser prático ou completamente fantástico. Você pode se perguntar: “E se meu cachorro começasse a conversar comigo?”, ou “E se meu vizinho, que ama muito meu cachorro, o sequestrasse algum dia desses?”.

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4
 Inspire-se pelas suas experiências. Apesar de histórias curtas pertencerem à categoria de escrita de ficção, muitos trabalhos fictícios são altamente autobiográficos. Caso esteja escrevendo um trabalho sobre algo que tenha acontecido a você ou a alguém conhecido, isso seria considerado não-ficção; porém, inspirar-se por experiências próprias e levá-las para um nível novo e ficcional é um ótimo plano para escrever uma história, especialmente em momentos em que o escritor “não tenha assunto”.
  • Muitas pessoas afirmam que você deveria “escrever sobre o que sabe”. Uma escola de pensamento é que se você cresceu numa fazenda em Santa Catarina, ou tentou passar dez anos tentando ser um pintor na Noruega, deveria escrever sobre essas experiências em vez de tentar adivinhar como seria a vida de uma pessoa em tais lugares.
  • Alguns escritores dizem que você deveria “escrever sobre aquilo que desconhece acerca do que conhece”. Isso significa que você deveria começar em território familiar, passando a explorar algo que lhe deixou curioso ou que lhe pareça estranho nesse mesmo tema.
  • Se você se confortar demais escrevendo sobre coisas que realmente aconteceram, acabará não dando espaço para a criatividade. Por exemplo, talvez você tenha tido um amigo de infância que foi embora sem avisar, ou talvez ande pensando sobre o que aconteceu com aquele operador de trem que tanto lhe fascinava. Explore esse mundo e ponha-o no papel.

5  Inspire-se por um ambiente. Uma história pode vir de um forte sentimento acerca de um lugar. Você não precisa se inspirar por uma praia paradisíaca ou por suas férias incríveis em Veneza. Em vez disso, inspire-se do normal. Pense em como era passar o verão no pomar de sua avó quando você era criança; lembre-se de como era brincar com seu amigo no porão da casa dele na época da escola.
  • Escrever sobre um lugar pode levá-lo a desenvolver personagens e conflitos interessantes.
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6  Inspire-se através de um exercício de escrita. Exercícios de escrita vêm ajudando muitos escritores a desenvolverem a criatividade, a encontrarem inspiração em lugares improváveis, e a se forçarem a escrever mesmo com “falta de ideias”. Você pode começar com um exercício de escrita para se aquecer por 10-15 minutos; ou pode escrever por uma hora com base no exercício mesmo quando falta inspiração. Aqui estão alguns ótimos exercícios para você começar: [1]
  • Comece uma história com a seguinte frase: “Jamais contei isso a alguém antes”.
  • Observe a imagem de um celeiro normal num campo. Em seguida, descreva-o do ponto de vista de alguém que acabou de cometer assassinato. Faça isso novamente do ponto de vista de uma garota que tenha acabado de perder a mãe. Veja como os pensamentos dos personagens podem influenciar a maneira dele de ver o mundo.
  • Apenas escreva por 10-15 minutos sem parar. Não pare ou olhe o que escreveu até acabar.
  • Escolha uma pessoa de sua vida que seja absolutamente odiosa. Agora, tente escrever uma história do ponto de vista dela. Tente fazer o leitor simpatizar com ele o máximo possível.
  • Permita que um personagem lhe surpreenda. Escreva sobre um personagem que você aparentemente conhece bem, e permita que essa pessoa faça algo completamente inesperado. Veja o que acontece em seguida.
  • A discussão. Faça dois personagens discutirem sobre algo completamente mundano, como quem levará o lixo para fora, ou quem pagará o cinema. Esclareça que essa discussão é realmente sobre algo maior e mais sério, como quem irá terminar o relacionamento, ou quem está dando muito e recebendo pouco. Tente permitir que o diálogo faça todo o trabalho.
  • Linguagem corporal. Escreva 500 palavras que descrevam dois personagens que estejam sentados próximos um do outro. Sem usar diálogo, permita que o leitor veja exatamente como cada personagem se sente em relação ao outro.


7   Inspire-se lendo histórias. Se quiser dominar a arte de contar história, você deve ler a maior quantidade de trabalhos artísticos que puder. Você deve ler os clássicos e os mestres contemporâneos, usando a escrita dos outros para inspirar seus próprios trabalhos. Aqui estão algumas histórias contemporâneas e clássicas que podem inspirá-lo a escrever mais:
  • ”A Dama do Cachorrinho”, de Anton Tchekhov
  • ”O Barril de Amontillado”, de Edgar Allan Poe
  • ”Um Lugar Limpo e Bem Iluminado”, de Ernest Hemingway
  • ”Um Trajeto Gasto”, de Eudora Welty
  • ”Catedral”, de Raymond Carver
  • ”O Passado Morto”, de Isaac Asimov
  • ”A Selva”, de Ray Bradbury
  • ”As Coisas que Carregaram”, de Tim O’Brien
  • ”Fugitiva” de Alice Munro
  • ”Garota” de Jamaica Kincaid
  • ”A Filha do Coveiro” de Joyce Carol Oates
  • ”Missa do Galo” de Machado de Assis

domingo, 3 de maio de 2015

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sábado, 2 de maio de 2015

Primeiro museu brasileiro da moda conta a história da roupa feminina por meio de vestidos


Com uma ideia na cabeça e um ateliê nos moldes da alta-costura à disposição, a estilista gaúcha Milka Wolff tirou do papel o primeiro museu brasileiro totalmente dedicado à história da moda feminina. Milka vai mais longe e afirma que este é o primeiro espaço do mundo com exposição permanente voltada para a história do vestuário. O Museu da Moda fica em Canela, no interior do Rio Grande do Sul, e reúne um acervo com 150 peças, majoritariamente vestidos, distribuídas por cerca de 3 mil m². O Redator visitou o espaço, que segue os padrões de museus de moda estrangeiros, com iluminação de LED, climatização controlada e proibição de fotos.

Aberto ao público no final de dezembro do ano passado, o museu não exibe peças antigas, mas réplicas de modelos e vestidos que existiram de verdade, mas que se deterioraram e desapareceram ao longo dos anos, que não podem ser comprados facilmente ou que nem sequer estão à venda. "Nós visitamos museus e recorremos ao que existe só nos livros para montar esse acervo. Tentei fazer com que não faltasse nada de cada era", detalha Milka, que trabalha com moda há mais de 50 anos e se especializou em vestidos de festa.
Museu dedicado à história da moda guia visitante por mais de dez períodos diferentes
Museu dedicado à história da moda guia visitante por mais de dez períodos diferentes

A curadoria ficou por conta da arquiteta Débora Elman, que também é professora e coordenadora dos cursos de pós-graduação em design de moda da Faculdade Senac do Rio Grande do Sul. Débora conta que o trabalho de pesquisa durou dois anos e ia além dos livros, estendendo-se por análise de esculturas, pinturas e, claro, museus de moda em vários países.

O objetivo era reproduzir com o máximo de fidelidade cada traje selecionado. Segundo Milka, que coordenou a equipe de criação, todas as peças foram confeccionadas obedecendo as limitações da época retratada. Se era um período em que a máquina de costura ainda não tinha sido inventada, tudo era feito à mão, inclusive os tecidos, saídos direto de um tear manual.
O passeio pela história contada pelo Museu da Moda começa por volta de 2000 a.C. com os vestidos do Egito, da Grécia, de Roma e da Pérsia, onde atualmente encontra-se o Irã. A Antiguidade é a era que dá as boas-vindas, fazendo o visitante entrar no clima histórico e, ao mesmo tempo, fashionista. Ao longo de 19 vitrines temáticas, percorre-se o guarda-roupa da Idade Média, do Renascimento, da Belle Époque e entra-se no século 21, onde os ciclos da moda estão divididos por décadas.
Se, por um lado, o caráter histórico das peças do museu pode ficar comprometido para alguns por serem réplicas, por outro, o visitante tem a chance de ver vestimentas que mantém as cores e o brilho de uma roupa nova e, principalmente, conseguem repassar o glamour de determinada época. Milka afirma que preferiu confeccionar peças novas a adquirir roupas desgastadas, com manchas no tecido ou com bordados danificados.

"Se era pra fazer, que fosse o mais fiel possível. Fui buscar renda e brocados da França. Quando não tinha acesso a um tecido específico, mudava o modelo do vestido", diz a estilista.

No acervo, cada peça conta uma peculiaridade da moda feminina de determinada época. Apesar de ficar claro que o ponto de referência são os vestidos, a entrada da calça comprida no guarda-roupa da mulher faz falta na história contada pelo espaço.
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O museu, que demandou um investimento em torno de R$ 6 milhões, possui ainda área para exposições temporárias e tem uma vitrine em homenagem a Diana, a princesa de Gales. Nove vestidos, entre réplicas e outros realmente usados por Lady Di, peças que foram arrematadas por Milka em um leilão em Nova York, mostram um pouco do estilo desta mulher que foi símbolo de elegância para uma geração.

Além da área de exposições, o Museu da Moda conta com uma loja temática e uma cafeteria ideal para um papo fashionista pós-visita, ou para deixar o marido ou namorado à espera.
Desde o início das atividades, o museu vem atraindo, sobretudo, estudantes de moda. Segundo Gilnei Casagrande, diretor do museu, eles vêm de vários estados do Brasil e são recebidos pessoalmente pela direção do espaço. Muitos, conta Casagrande, nunca tinham ido a um museu específico sobre moda - até porque o mais perto que temos por aqui fica em Santiago, no Chile.
Museu da ModaAv. Ernani Kroeff Fleck, 1.810, Canela, Rio Grande do Sul. Tel.: 0/xx/54 3282-1121. Informações: www.museudamodadecanela.com.br
Quanto: R$ 30 ou R$ 15 (crianças e pessoas acima de 60 anos)








Sexualidade feminina e prazer sexual da mulher

 Durante séculos, o sexo para a mulher foi visto como forma de reprodução e só. Não restando a ela outra função para o ato, tendo em vista que o prazer feminino era reprimido ao extremo. Hoje, graças à informação a qual todos têm acesso, o sexo passou a fazer parte do cotidiano, não ficando limitado apenas à concepção, mas fazendo com que a mulher se sentisse valorizada e que sua auto-estima fosse elevada. De acordo com a médica e psicanalista Soraya Hissa de Carvalho, a mulher moderna está em busca de novos elementos que possam contribuir para a qualidade do ato sexual, e, conseqüentemente, de seu prazer.
Soraya ressalta que as mulheres têm direito ao prazer sexual, bem como os homens, e que devem buscá-lo de toda forma, conversando com o parceiro e obtendo informações que possam ser de relevância, para que a relação seja, acima de tudo, saudável. Ela destaca que a culpa e a vergonha sobre os desejos sexuais são pouco saudáveis. 

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“Muitas mulheres aprendem sobre o seu prazer sexual tocando o próprio corpo, o que é um caminho saudável para o autoconhecimento. Compreender o que lhe dá prazer torna mais fácil e recompensadora a relação com outra pessoa”, completa.
Estatísticas revelam que os fatores que contribuem para que o desejo sexual seja inibido são os de caráter psicológico que, na maioria das vezes, estão relacionados ao parceiro, aos mitos e preconceitos que envolvem o ato sexual em si, e à preocupação da mulher com conceitos pré-estabelecidos pela sociedade. 
“A auto-estima é a chave de uma vida sexual saudável e recompensadora. Não podemos esperar que os outros nos respeitem se não respeitarmos a nós próprios”, explica a psicanalista.
De acordo com Soraya, a resposta sexual de cada um depende da identidade, orientação sexual, personalidade, sentimentos e relações que estabelecemos. Além disso, com o passar dos anos, nossa sexualidade e a maneira como passamos pelas diversas etapas da vida vão sofrendo mudanças e é importante que as experiências e vivências da sexualidade sejam sempre fontes de bem-estar, para nós mesmos e para os outros com quem as partilhamos.
A psicanalista finaliza dizendo que existem várias maneiras para enfrentar os preconceitos e viver melhor. Algumas dicas valiosas, que devem ser seguidas regularmente, podem ajudar a garantir satisfação e prazer para a mulher, tanto do corpo, quanto da mente. São elas:
* Fazer exercícios físicos regularmente
* Conversar sempre com o parceiro
* Estar sempre em dia com as consultas ginecológicas
* Exercitar a mente com um curso ou um projeto diferente 

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ORGASMO FEMININO

                

NOVA POSTURA FEMININA
Transtornos na área da sexualidade afetam homens e mulheres. Eles, de certa forma, estão mais acostumados a tratar do assunto e, embora muitos retardem o quanto possam a visita ao médico, a maioria acaba buscando orientação.
Com as mulheres, o problema se desenvolveu de modo diferente. Fatores culturais, religiosos, morais e de educação influenciaram – e ainda influenciam – sua maneira de entender e praticar o sexo. Se considerarmos que em algumas comunidades a amputação do clitóris é costume preservado ao longo dos tempos, podemos perceber quão profundas podem ter sido essas influências no imaginário feminino.
As mulheres antigas raramente se referiam às suas dificuldades sexuais. Hoje, essa atitude mudou e muitas se queixam de não estarem sexualmente satisfeitas. Estudos realizados pelo ProSex, Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, permitem identificar três tipos principais de queixas: falta de desejo, incapacidade de atingir o orgasmo e dor durante a relação.
Essa mudança de comportamento tem sido fundamental para enfrentar as dificuldades que sempre existiram no universo feminino. Entretanto, além da ajuda profissional, é preciso estimular a intimidade entre os parceiros para que juntos possam descobrir o que traz mais prazer a cada um deles.
FALTA DE DESEJO
Drauzio – Muitas mulheres se queixam da falta de desejo sexual. Esse é um fenômeno inerente à vida moderna ou as mulheres antigas só não exteriorizavam essa queixa?
Carmita Abdo – Acho que a diferença está em que as mulheres antigas não se queixavam, mas as de hoje não só se queixam como procuram tratamento uma vez que, parceiras naturais dos homens, sentem que a eles têm sido oferecidas melhores oportunidades para cuidar de suas disfunções sexuais.
Drauzio – Em que faixa etária isso é mais comum?
Carmita Abdo – A falta de desejo é mais comum nas mulheres mais velhas. Em contrapartida, a ausência de orgasmo, isto é, a dificuldade de sentir prazer pleno, é mais frequente na juventude, em geral, na época da iniciação sexual. O importante, porém, é reconhecer que em qualquer fase da vida a mulher pode passar por problemas sexuais.
DISFUNÇÃO ORGÁSMICA
Drauzio – Qual sua visão a respeito da dificuldade feminina de atingir o orgasmo?
Carmita Abdo – A mulher tem dois pontos de excitação em sua genitália: o clitóris e a vagina. O homem tem um só e desde criança aprende que por meio da estimulação do pênis vai chegar ao prazer.
Na masturbação, a mulher aprende a excitar-se clitoridianamente. Quando começa a fazer sexo com um parceiro, acha que deve mudar de local e atingir o prazer na vagina pela penetração. Nem todas conseguem. Além disso, o fato de buscar o orgasmo vaginal simultâneo ao do parceiro atrapalha muito as mulheres na obtenção do prazer.
No Brasil, há dados sobre isso. Um terço de nossas mulheres nunca atingiu o orgasmo por penetração nem por autoestimulação; um terço alcança o orgasmo vaginal e o clitoridiano e um terço não consegue ter orgasmo dentro da vagina. Infelizmente, embora não se sintam satisfeitas ao término da relação sexual, a imensa maioria das que não atingem o orgasmo, nada revela a seus parceiros.
O mais importante, porém, não é a falta da satisfação. A ausência de orgasmo pode ser sinal de problemas orgânicos mais sérios como deficiência hormonal, depressão, diabetes ou disfunções glandulares como o hipotiroidismo e o hipertiroidismo. Vale também citar certas posturas culturais (a educação repressiva é uma delas) que podem repercutir no desempenho sexual da vida adulta.
A mulher deve estar sempre atenta a suas dificuldades sexuais, pois podem representar um marcador de sua saúde. Por isso, é necessário considerar o problema de forma mais ampla e pesquisar as possíveis causas da disfunção orgásmica.
MASTURBAÇÃO FEMININA
Drauzio – A masturbação feminina é um tema coberto por um manto negro e do qual pouco se fala. Por quê?
Carmita Abdo – No Brasil, um estudo realizado no ano 2000 demonstrou que 52% das mulheres admitem que praticam masturbação. É um índice baixo se comparado com o dos homens que, quase em sua totalidade, declaram masturbar-se como forma de resolver a demanda sexual na falta de uma parceira.
Para muitas mulheres, entretanto, a masturbação representa algo pecaminoso, incorreto do ponto de vista moral e que pode até prejudicar seu corpo. Trata-se de um tabu que contaminou o imaginário feminino.

Drauzio – Não aprender a masturbar-se – uma vez que o prazer sexual envolve um aprendizado também – pode ter repercussões na vida da mulher mais tarde?
Carmita Abdo – Esse é um ponto importante. O homem aprende desde garoto a permitir-se o prazer pela masturbação. Quando a adolescência chega, está mais treinado, mais trabalhado do que a menina que só então, timidamente, começa a descobrir seu corpo, imaginando que precisa estar pronta no momento do encontro erótico e afetivo para não constranger o parceiro com sua inexperiência. Ela exige muito mais de si própria, o que dificulta seu desenvolvimento e o prazer sexual.
Há, ainda, outros aspectos importantes no comportamento feminino. A menina quer ser bonita, atraente. Fica dividida entre preparar-se para o sexo e estar interessante para o companheiro. Esse é outro fator que interfere na falta de prazer das mulheres. Na hora da relação, concentram-se mais na própria performance e em como o parceiro as vê do que no sexo propriamente dito. E o parceiro não está vendo nada. Está envolvido no ato que pratica, está excitado e completamente voltado para o prazer sexual. Sua escolha já foi feita e não é nesse instante que vai avaliar os encantos daquela mulher. Nesse momento, só lhe interessa que o ato seja agradável e a parceira, compensadora. Por isso, as mulheres estão sempre defasadas, sempre alguns minutos atrás do homem, porque foram educadas assim. No entanto, segundo atestam as evidências do Projeto de Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, essa realidade está mudando.
PRO-SEX: PROJETO DE SEXUALIDADE
Drauzio – Explique como funciona esse projeto.
Carmita Abdo – Trata-se de um projeto multidisciplinar que envolve psiquiatras, psicólogos, ginecologistas, urologistas, terapeutas educacionais e educadores. É um serviço gratuito oferecido à comunidade que põe à disposição de todo o Brasil, de segunda à sexta-feira em horário comercial, o telefone 0800-162044l e o site www.portaldasexualidade.com.br Além disso, oferece um programa de assistência, diagnóstico e acompanhamento para as pessoas que nos procuram com algum problema sexual.
No início do projeto, há 10 anos, a proporção de consultas era de sete homens para uma mulher. Hoje, são dois homens para uma mulher. Pode-se pensar que o interesse masculino tenha diminuído. Ao contrário, eles continuam nos procurando cada vez mais. Para dar uma ideia, são realizadas 1200 consultas por mês: 800 homens e 400 mulheres. O interessante é que o grupo feminino é constituído basicamente por mulheres mais jovens.
FISIOLOGIA DO ORGASMO
Drauzio – Fale um pouco sobre a diferença entre a fisiologia do orgasmo sexual masculino e a do orgasmo sexual feminino, pois nessa diferença parece residir grande parte dos desacertos.
Carmita Abdo – A resposta sexual tem quatro etapas. Começa pelo desejo, passa para a excitação que vai crescendo, chega ao orgasmo e termina num período refratário chamado de resolução. O desejo no homem é muito precoce e ele atinge o pico de excitação em pouquíssimo tempo. A mulher precisa do contato físico para passar da primeira para a segunda fase.
O homem é visual, a mulher é tátil e aí começa a defasagem. Se ele é inexperiente, um ejaculador precoce ou apresenta uma disfunção erétil conhecida como impotência, não vai conseguir compor-se com a mulher e esperar que ela chegue ao pico de excitação e ao orgasmo. Muitas vezes, quando ele está terminando, ela está apenas no começo e não teve sequer a oportunidade de comunicar-lhe o que a agrada ou não. Além disso, quase sempre se cala para não constranger o parceiro nem deixá-lo em situação difícil.
É uma questão de tempo. Um tem de esperar o outro. Como é difícil para a mulher adiantar-se, determinar esse compasso caberia ao homem, pois, teoricamente, estaria mais apto para atrasar-se. Na prática, porém, é comum isso não acontecer, porque ele não está suficientemente preparado nem disponível para essa espera. Por outro lado, frequentemente, ele não sabe o que se passa com a parceira porque, por medo de perdê-lo em virtude da incapacidade de estabelecer sincronia, ela nada lhe diz.
É importante que os homens tomem conhecimento desse fato e propiciem às mulheres a oportunidade de falar. Perguntem. Quem sabe, assim, passemos a falar mais antes do que durante o ato sexual.
No Brasil, metade dos homens e das mulheres tem problemas sexuais. A disfunção sexual é um problema de saúde pública e, quanto mais precocemente for tratada, menos desajustes sérios provocará no casal.
OCORRÊNCIA DE PROBLEMAS SEXUAIS
Drauzio – Você disse que 50% dos homens e 50% das mulheres têm problemas sexuais. O que quer dizer isso exatamente?
Carmita Abdo – No Brasil, 30% das mulheres já confessaram que não têm orgasmo; 35%, que têm alguma dificuldade de sentir desejo e 21%, que sentem dor na relação sexual. Claro que esses não são números isolados. A mesma mulher pode manifestar os três sintomas simultaneamente e isso perfaz 49%.
E os homens? Pode-se dizer que 46% deles apresentam algum grau de disfunção erétil. Em alguns casos, a disfunção é mínima, ou seja, o indivíduo tem dificuldade de manter o pênis rijo como gostaria ou como já foi um dia. Noutros, a disfunção é moderada. Apesar da perda significativa da ereção, esses conseguem realizar ato sexual pleno com penetração. Por fim, há os casos de disfunção completa, ou seja, ausência total da capacidade eretiva, o que impede completamente a relação. Esses casos estão assim distribuídos: 2,5% têm disfunção completa; 30% apresentam falta parcial e o restante, disfunção mínima.
A idade costuma ser um fator agravante para os homens. Para dar uma noção, aos 40 anos, 1,2% deles tem disfunção completa; aos 70 anos, 12%.
REPERCUSSÕES PSICOLÓGICAS DA FALTA DE ORGASMO
Drauzio – Quais são as repercussões psicológicas da falta de orgasmo na mulher?
Carmita Abdo – Primeiro, é preciso pensar que nem toda mulher exige o orgasmo e que para muitas nem mesmo o sexo é prioritário em suas vidas. No entanto, atualmente, a grande maioria começa a desejar obter o prazer máximo. Se é no clitóris que consegue a sensação, deve explicar a seu parceiro, porque o orgasmo provoca satisfação e relaxamento. A falta de descarga orgástica dificulta a liberação da tensão sexual acumulada e torna a mulher mais irritadiça e de relacionamento interpessoal mais difícil.
Por isso, insisto que as mulheres não devem ficar se cobrando o orgasmo intravaginal simultâneo. Diria mesmo que ele é quase um mito, pois é muito difícil duas pessoas chegarem ao mesmo tempo ao fim do ato sexual todas as vezes que se relacionam. Quando isso acontece, é motivo de festa, de comemoração.
Drauzio  Para alguns casais, essa incapacidade de atingir o orgasmo simultâneo é motivo de frustração. No final, que importância isso tem?
Carmita Abdo – Não tem nenhuma importância. O que se espera é que haja companheirismo e parceria até o término do ato sexual. Dessa forma, o que atingiu primeiro o orgasmo deve continuar estimulando o parceiro para que também chegue ao prazer perfeito.
Onde as coisas se complicam? Quando um dá por terminada a relação sem se importar com a satisfação do outro. Muitas vezes, a mulher precisa masturbar-se após o ato sexual, porque o companheiro terminou antes, virou de lado e não se preocupou com o que estava acontecendo com ela. Nesses casos, é comum ela insistir no orgasmo simultâneo como forma indireta de mostrar que ele precisa aguardá-la. Para os homens que estejam bem sexualmente é mais fácil manter esse controle. Se apresentam ejaculação precoce ou disfunção erétil, o caso muda de figura.
MULHERES: MAIS SELETIVAS NA ESCOLHA DO PARCEIRO
Drauzio – Na adolescência, a maioria dos homens passam a demonstrar interesse indiscriminado pelas mulheres. As meninas, ao contrário, são muito mais seletivas. Você não acha que essa diferença de comportamentos cria uma expectativa em relação ao sexo que pode explicar tantos desencontros?
Carmita Abdo – Sem dúvida. Os hormônios sexuais, a educação que recebem e a expectativa social que recai sobre os homens, tudo é muito diferente do que acontece com as mulheres. Para eles, já na adolescência, o sexo é permitido e seu interesse pela atividade sexual, valorizado. Apesar da evolução dos costumes, para a mulher não é dado o mesmo estímulo na infância e ela não goza desse tipo de liberdade nem na adolescência nem na vida adulta. Caso esteja disposta a estabelecer relacionamentos mais fáceis é chamada, no mínimo, de vulgar. Consequentemente, fica mais seletiva. Se isso é bom ou ruim, só a vida vai mostrar. Para algumas, ser seletiva combina com sua personalidade. Para outras, exige muito controle e repressão porque, na verdade, gostariam de ser mais livres para expressar sua sexualidade.
Um fato, porém, tem chamado a atenção. As pesquisas vêm demonstrando que, ao contrário do que acontecia antigamente, quando as mulheres que se preservavam eram as preferidas, alguma experiência faz parte das exigências masculinas em relação às suas parceiras.
FISIOLOGIA DO ORGASMO
Drauzio – Você poderia explicar a fisiologia do orgasmo?
Carmita Abdo – O orgasmo não se limita aos órgãos genitais. É uma sensação que toma o corpo todo e começa no cérebro através do desejo, que é estimulado pelos órgãos dos sentidos e pela imaginação. É no cérebro que a pessoa se libera para o ato sexual.
A pele, o maior órgão sexual que possuímos, desempenha papel importante nesse processo. Estimulada, faz com que uma série de neurotransmissores entrem em ação e transmitam informações aos genitais para que sejam liberadas secreções visando à lubrificação do local. Os músculos relaxam, o corpo fica alerta, a respiração mais acelerada e o coração bate mais forte a fim de irrigar a zona onde a excitação é mais intensa.
LUBRIFICAÇÃO E EXCITAÇÃO
Drauzio  A lubrificação é diretamente proporcional à excitação?
Carmita Abdo – A mulher que não se excita, geralmente, não se lubrifica. Nas idades mais avançadas, a lubrificação pode ser prejudicada pela queda na produção dos hormônios femininos, mas, numa mulher de 30 anos, por exemplo, será diretamente proporcional ao estímulo recebido e serve para indicar se a vagina está pronta para receber o pênis em seu interior. Essa é uma dica importante para os homens. Se a mulher não está suficientemente lubrificada, deve continuar sendo estimulada com beijos, abraços e toques corporais para facilitar a penetração e a excitação intravaginal.
ORGASMO CLITORIDIANO E VAGINAL
Drauzio  Qual a diferença entre a fisiologia do orgasmo clitoridiano e a fisiologia do orgasmo que a mulher atinge por penetração?
Carmita Abdo – A fisiologia é praticamente a mesma, apenas a mulher tem dois pontos em que pode excitar-se. Não há uma via específica que encaminha para um local ou outro. Acontece que, às vezes, elas aprenderam a excitar-se no clitóris e fica difícil transportar essa forma de obtenção de prazer para dentro da vagina. Como esse assunto faz parte de nosso trabalho, ouvindo o depoimento de muitas mulheres, parece que o orgasmo dentro da vagina é mais amplo e espalha-se pelo corpo de forma mais intensa. O clitoridiano é mais silencioso, mais restrito, até porque é o orgasmo que a menina, durante a adolescência, praticou às escondidas, reprimindo qualquer exteriorização mais evidente. Essa característica da autoerotização feminina, leva a mulher a exercer certo controle sobre esse tipo de prazer.
PONTO G: EXISTÊNCIA CONTROVERTIDA
Drauzio – O ponto G é assunto discutido em todas as revistas femininas, não é?
Carmita Abdo – Muito se discute hoje se existe ou não o tal ponto G, local mais enervado e vascularizado dentro da vagina onde é maior a possibilidade de prazer. Pergunta-se também se a glande masculina terá sensibilidade para encontrar esse ponto. Segundo os anatomistas, a penetração profunda não o estimula, porque ele se localiza na parede anterior do terço inferior da vagina. Imaginando a mulher deitada de costas, ele estaria mais próximo do umbigo do que do ânus.
Teoricamente, a penetração profunda não favorece a excitação do ponto G. É necessário estimular o terço inferior da vagina para aumentar o prazer da mulher.
Por outro lado, a borda da vagina também é muito excitável. Se o homem tiver tranquilidade suficiente para excitar essa região e, só depois, pouco a pouco ir penetrando, além de propiciar maior prazer à mulher, estará oferecendo-lhe a oportunidade de aprender a explorar o prazer intravaginal. Às vezes, porém, ele se excita demais, não consegue controlar a situação e perde a continuidade do ato. Como se vê, fazer sexo é uma questão de treino para ambas as partes.
EJACULAÇÃO FEMININA
Drauzio – Muitos homens esperam da mulher, no momento do orgasmo, um fenômeno semelhante ao da ejaculação masculina.
Carmita Abdo– Algumas mulheres, em virtude do orgasmo vaginal intenso, liberam muito líquido durante o ato sexual. Muitas vezes, elas relatam que ficam completamente molhadas e chegam a levantar a hipótese de que tenham urinado. Cerca de 10% das mulheres apresentam esse tipo de ejaculação. Quem não tem, não precisa preocupar-se, porque basta a lubrificação para garantir desempenho sexual bastante satisfatório.
Esse fenômeno seria resquício da semelhança existente entre os genitais masculinos e femininos na fase embrionária, já que eles só se diferenciam completamente ao longo do desenvolvimento intrauterino.